terça-feira, 14 de setembro de 2010

Morre o Jornal do Brasil no papel; viva o Jornal do Brasil na internet.

Morre no Rio de Janeiro, aos 119 anos, o Jornal do Brasil. Morre no papel mas continua vivo na internet. Dizer que o jornal optou pela transposição do papel para a tela por uma questão de modernidade tecnológica é uma falsa desculpa. Na verdade o jornal de Nelson Tanure já não tinha mais fôlego para sobreviver. Afundado em dívidas, mal gerenciado e desrespeitoso de alguns princípios básicos do bom jornalismo que tradicionalmente marcou a historia do jornal, o JB preferiu apostar naquilo que alguns teóricos da comunicação já vem anunciando há décadas: a morte do jornal de papel.

De agora em diante quem quiser ler aquele que foi o jornal mais querido dos cariocas, intimamente conhecido pelas iniciais JB, terá que ligar o computador e buscar sua versão online. O jornal estará na tela. Outro suporte, outra linguagem. Vai circular na web. Cumpre-se, com ironia, a profecia de vanguarda do JB.  Foi o primeiro jornal brasileiro a ter uma versão online, em 1995. Será também o primeiro a ter uma versão unicamente na internet. Assim como a versão em PDF foi um marco histórico para os pesquisadores em comunicação, a versão exclusivamente online também representa uma forma de pioneirismo.
Segundo o diretor da publicação, Nelson Tanure, que não definiu a data exata para o fim da impressão, esta é uma tendência mundial. Ou seja, os jornais em papel tendem a desaparecer de circulação. De certa forma, eles se desmaterializam (tudo que é sólido desmancha no ar?). Não teremos mais como folhear um jornal, de frente para trás ou de trás para a frente, sublinhar ou recortar a matéria que nos interessa, amassar a página que não gostamos e jogá-la na cesta do lixo... Não haverá clipping nas assessorias de imprensa, não haverá vendedores de jornais nos semáforos. Aliás, quanto a isso já estamos acostumados há muito tempo. Onde ficou a voz dos meninos gritando na rua as manchetes do dia? ...

Nenhum comentário:

Postar um comentário